7 de mai de 2014

Desapegar é fazer um bem para si mesmo


Um dia eu me peguei pensando que se eu precisasse ir embora quais seriam as coisas que eu não abriria mão de levar. Meus eletrônicos, meus livros e algumas roupas, sapatos e bolsas. Nesse momento me bateu um estalo. Por que eu guardo todo o resto então? Por que criamos um apego tão grande pelas coisas materiais? 

Eu me lembro que só dava minhas coisas na época de natal, fazia aquela limpa no armário e com muita dor separava roupas e sapato para doar, pois estava fazendo um bem ao próximo. Eu sempre fui e ainda sou bem consumista (ninguém é perfeito, mas estamos sempre em busca de boas mudanças), eu sinto prazer em comprar, então acabo acumulando muita tralha. Qual das coisas que tenho eu de fato uso? Eu realmente preciso de tanta coisa? 

Comprar pode ter um zilhão de significados no inconsciente das pessoas, desde a representação do trabalho duro de um mês inteiro até o preenchimento de vazios existenciais, mas se você for parar pra pensar comprar não é a mesma coisa que guardar. A minha amiga Gaby sempre comentou que se sentia em um brechó quando entrava no meu quarto. Tinha sempre tanta coisa nele que ficava claro que eu não usava metade delas. Até contei nesse vídeo aqui sobre como eu guardava caixas vazias. 

A Samy mais jovem nunca foi uma pessoa organizada, mas no fundo ela queria ser. Parei para pensar sobre a minha obsessão com caixas e cheguei a conclusão que eu guardava caixas por que elas eram uma boa forma de guardar e organizar coisas. No fundo eu queria ser organizada e as caixas representavam isso, mas mesmo com tantas caixas, além de eu não saber exatamente como organizar as coisas eu tinha coisas demais para organizar.

Em um período da minha vida eu resolvi que iria jogar fora tudo que me fizesse infeliz. Eu queria paz e equilíbrio. Eu queria ser alguém diferente e melhor. Mas para fazer isso eu deveria me desapegar dos sentimentos ruins, das pessoas que me machucavam e do que não gostava em mim. 

Resolvi que começaria sendo uma pessoa organizada e lá fui arrumar o meu quarto. Já com algumas idéias sobre organização na cabeça, que tinha pesquisado na internet, eu fiz 3 pilhas (guardar, doar e jogar fora) e como a idéia era desapegar eu comecei a tentar ser racional e não pensar no apego emocional que tinha pela coisas. Eu pegava as coisas e me perguntava: Há quanto tempo eu não uso isso? Se era algo que eu usava eu guardava, se estava enfurnada no armário por um período longo e estava em bom estado eu doava. Acho que você já entendeu como era a dinâmica, mas o ponto crucial era que eu não me permitia ficar muito tempo com algo na mão, pois eu começava a pensar como o objeto era bonito, como eu gostava dele, pensava na época em que comprei e as chances de voltar para o armário aumentavam. Mas o fato é que podia ser a melhor coisa do universo, eu não usava, logo precisava ir. 

Preciso dizer que a sensação no final foi muito boa. Eu me sentia mais leve, mais feliz, foi libertador. Tinha espaço não só para arrumar as coisas que possuía, mas para que novas coisas pudessem entrar na minha vida. Não falo só de coisas materiais, falo de novas experiências, novas atitudes, novos pensamentos. Me senti mais equilibrada e capaz de fazer mudanças. Além disso pude ter uma noção das coisas que tinha e aproveitá-las melhor. Precisamos deixar as coisas ir para apreciar o que temos de verdade, saber o que de fato precisamos e termos espaço para coisas novas. Desapegar é fazer um bem para si mesmo.

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